# O que é, o que faz e o que entrega

## 1. O que é

O CEBI Tester é a ferramenta de **validação funcional de liberação de versão** dos sistemas.

Ele executa, sem intervenção, os casos de teste já catalogados contra o ambiente de um cliente,
recolhe evidência de cada passo e emite um **veredito sobre a versão**: apta, apta com ressalvas
ou não recomendada.

A pergunta que ele responde não é *"a tela abriu?"*, e sim:

> O processo de negócio continuou funcionando do início ao fim, e os dados que ficaram gravados
> estão consistentes?

É a diferença entre a tela dizer que gravou e **ter gravado**. Quando o caso permite, a ferramenta
confere no banco o que a tela afirmou.

---

## 2. O problema que ele resolve

A validação de uma versão era feita a partir de checklists em texto, lidos e executados à mão a
cada liberação. Isso tem três custos:

| Custo | O que acontecia |
| --- | --- |
| **Tempo** | Cada liberação recomeçava do zero, tela a tela |
| **Cobertura** | O que não dava tempo de conferir simplesmente não era conferido — e ninguém sabia o que ficou de fora |
| **Rastro** | "Testei e passou" não é evidência; sem print e sem dado, a conversa com o desenvolvimento vira opinião contra opinião |

O CEBI Tester transforma cada item de checklist em **caso permanente**: escrito uma vez, executado
quantas vezes for preciso, sempre do mesmo jeito, sempre deixando prova.

---

## 3. O que ele faz, numa execução

Cada rodada percorre esta sequência, sozinha:

1. **Identifica o ambiente** do cliente escolhido e valida que ele responde.
2. **Detecta a versão publicada** lendo o próprio sistema — a versão nunca é digitada, porque muda
   várias vezes ao dia e sobe por módulo.
3. **Prepara a base**, quando o cliente exige preparação (perfil de permissão, massa, parâmetros).
4. **Seleciona os casos** no catálogo, conforme o escopo pedido.
5. **Executa** pela interface e pela API, como um usuário faria.
6. **Captura evidência** de cada passo: prints, dados da tela, requisições e respostas, console e
   rede.
7. **Confere na base** o que a tela afirmou, nos casos em que isso é possível.
8. **Classifica a causa** de cada falha — produto, ambiente, base ou a própria ferramenta.
9. **Grava o resultado** e **gera o relatório** da versão.

O passo 8 é o que diferencia a ferramenta de um robô de clique: falha não vira defeito
automaticamente. Falta de massa, ambiente fora do ar e permissão ausente saem como **bloqueio**,
com o motivo medido — não como acusação ao produto.

---

## 4. O que ele entrega

### Veredito da versão
Apta, apta com ressalvas ou não recomendada, com o que **impede liberar** explicitado: reprovados
de severidade Crítica/Alta, casos sem causa identificada e módulos sem nenhuma medição.

### Cobertura
Quanto do catálogo foi efetivamente exercido naquela rodada. Cobertura baixa não é defeito do
produto — é aviso de que a versão foi pouco medida, e isso fica registrado em vez de passar
despercebido.

### Defeitos com evidência
Cada defeito sai com severidade, passo a passo para reproduzir, prints, dados e o contexto
(versão, ambiente, caso). Dá para copiar e abrir o chamado sem reescrever nada.

### Bloqueios por responsável
O que não pôde ser medido, agrupado por **de quem depende destravar**: ambiente, base ou a própria
ferramenta. Isso vira lista de trabalho, não discussão.

### Relatório da versão
Documento completo, com quatro escopos de impressão — do resumo executivo ao dossiê com
evidências.

### Histórico
Defeito que reincide é marcado como tal, inclusive com a contagem de versões seguidas. Registra
também defeito **retirado**, para que uma retratação não suma sem rastro.

### Catálogo permanente
A biblioteca de casos é o ativo que fica: hoje são **388 casos**, **338 automatizados**, em
**15 ambientes de cliente** configurados.

| Produto | Casos | Automatizados |
| --- | --- | --- |
| Balcão Comercial | 275 | 275 |
| Baixa | 63 | 63 |
| Hidrometria | 49 | — |
| Usuários | — | — |

---

## 5. Como a IA entra (e onde ela não entra)

| | Claude (IA) | CEBI Tester (programa) |
| --- | --- | --- |
| **Quando** | Ao chegar uma versão nova; ao analisar falha sem causa determinada | Em toda execução |
| **Faz** | Interpreta as demandas, faz análise de impacto, seleciona a regressão, escreve os casos que faltam, redige o resumo executivo | Prepara a base, autentica, executa, compara, confere no banco, classifica a causa, gera relatório e evidências |
| **Custa token** | Sim | **Não** |

Depois que um caso é escrito e aprovado, ele roda quantas vezes for preciso **sem IA**. O trabalho
caro acontece uma vez; a execução é barata e repetível.

---

## 6. O que ele não faz

- **Não decide sozinho liberar.** Ele mede e sustenta a decisão com evidência; a decisão é do time.
- **Não testa desempenho nem carga.** O escopo é funcional.
- **Não envia nada para cliente.** E-mail e SMS só saem para destinos autorizados do time — nas
  bases de homologação o contato cadastrado costuma ser de pessoa real.
- **Não inventa resultado.** Quando não dá para medir, o caso sai bloqueado, com a causa. Caso
  bloqueado nunca é contado como aprovado.
- **Não cobre o que não está no catálogo.** O que não tem caso escrito aparece como módulo sem
  medição — a lacuna é exibida, não escondida.

---

## 7. Resultados até aqui

- A ferramenta encontrou defeitos que a conferência manual não pegava — entre eles, um modal de
  pagamento que mostrava só parte do valor devido, uma operação de desagrupamento que falha na
  primeira chamada e deixa o agrupamento pela metade, e uma segunda via de parcela que não é
  emitida em nenhum ambiente.
- E derrubou acusações falsas ao produto: casos que pareciam defeito e eram limitação da própria
  automação — grid paginado lido pela metade, aviso que some da tela em quatro segundos, botão
  julgado antes de preencher os campos obrigatórios. Cada um desses virou regra permanente da
  ferramenta.

A segunda parte vale tanto quanto a primeira: uma ferramenta que acusa o que não existe perde a
confiança do desenvolvimento na primeira reunião.